
Não
é anti-social, nem carência, nem doença. Ter amigos virtuais é apenas
deslocar o carinho do real para o digital. Tem gente que não acredita,
acha falsidade e baboseira. Eu já acho que é outro nível, apenas
deslocando o plano, de troca de sentimentos e confissões. Um amigo
virtual é como um amigo que se muda da sua cidade, e vocês passam a se
comunicar pelo computador. Não é o maníaco do parque, mas é preciso
prestar atenção com quem se conversa. E com um pouco de experiência em
Internet, conseguimos distinguir quem é fake e quem não é. Por isso
penso que a amizade virtual existe sim. É incrível como, quando você se
conecta ao mundo virtual e deixa uma mensagem triste no twitter, ele
aparece te respondendo. O sorriso é involuntário e correr pro MSN é
inevitável. As horas passam, os desabafos são intensos e o reconforto
revigora. Isso tudo com alguém que você nunca viu na vida, por isso
falar de amizade virtual é muito subjetivo. Falta a liga da coerência,
porque é aparentemente loucura confessar tudo e todos para alguém
“desconhecido”. O mais incrível é que confiamos mais nele do que num
colega de sala. É diferente, mas ainda assim é amizade. Ele não vai te
ver chorando, mas vai saber o momento de te confortar. Você não o vê
sorrir, mas sente quando provocou isso nele. Você não vai olhá-lo nos
olhos, mas a imagem de exibição faz passar um filme em sua mente de como
será que ele digita, como ele está vestido naquele momento. Você o
procura e ele responde, ao contrário de certos seres da sua vida. Pois
você vai chamar por todos, e apenas ele virá. A amizade virtual vem do
coração, por mais que se duvide dela. Não são os “eu te amo” que
confortam, e sim a troca de confissões e conselhos sinceros. E se você
tem amigos virtuais, nunca se esqueça de dizer o quanto eles importam
para você. Eu tenho amigos virtuais de anos. Por isso digo que
existe.Carinho pode sim vir por som de teclas digitando através de
monitores.
by: Keila Monteiro

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